Ao assistir o vídeo abaixo, fiquei incrédulo.

Este é um blog sobre cultura e nele sempre tento escrever sobre livros, filmes, séries, abordando o conteúdo na forma que eu assimilei. Não sei se consegui mas procuro me manter isento de opiniões sócio-político-religiosas. Apesar de já ter falado de temas polêmicos, procuro abordar uma forma de gerar uma discussão sadia e enriquecedora para todas as partes.

O vídeo expõe claramente a opinião de um jornalista da rede RBS do sul sobre a “política das passagens” atual. Apesar de jamais ter abordado política aqui, achei pertinente por alguns motivos:

1o - eu gostaria de compartilhar com vocês algo que nos faça pensar - o que é um dos motes desse blog (”Se duvido, logo penso. Se penso, logo existo. Se duvido, penso.” - Descartes).

2o - também queria abordar a apresentação do jornalista em si, no quesito forma. Depois que assisti, fiquei pensando em todos os jornais que assisto/digiro todos os dias, onde o apresentador passa a notícia com um semblante sério de modo é “impersonalizar” qualquer notícia e informação.

3o - finalmente, alguns irão comparar a postura deste jornalista, Luiz Carlos Prates (ao meu ver algo digno de admiração) aos inúmeros jornalistas policiais sensacionalistas que temos por aí. Apesar de ter pensando nessa possibilidade, não acredito nisso, vejo aquele como um sujeito integro e indignado e estes como oportunistas e hipócritas querendo “lucrar” com a sensação (daí, sensacionalistas) do momento. Mas também queria debater sobre este ponto.

Eis o vídeo:

E então?

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8 Comentários sobre “Forma e Conteúdo”

  • Lekkerding comentou em 01 de maio de 2009 às 03:52 :

    Não adianta ele - ou eu, ou você, ou qualquer um de nós - dizer isso a um povo que não tem, em sua base, uma educação política mínima. E por educação política não digo ir às urnas votar. Isso é fácil e só pra ridicularizar as pessoas cientistas já fizeram macacos votarem. Votar é muito fácil. O difícil é saber em quem você está votando. O difícil é saber se aquele em quem você está votando tem como berço político um partido cujas ideologias políticas se aproximem ao máximo das suas e se essas ideologias aplicadas são as mais adequadas para o país em questão. O difícil é ler a carta-proposta do partido que se candidata a determinado cargo. O difícil é largar a preguiça - sim, preguiça - e buscar um partido que tenha corrente ideológica adequada a seus interesses para aplicar na administração do país. O difícil é se manter atualizado nas resoluções executivas, legislativas e judiciárias que intereferem diretamente na sua vida e facilitam(ou não) a ocorrência desse tipo de coisa. O difícil é o povo brasileiro - eu e você também - entender que quem realmente manda nesse país é o povo, e fazer valer a sua voz.
    Essa é a parte difícil.
    Fazer o que ele fez na TV, pensar o que ele pensou, sentir o que ele sentiu, essa parte é fácil.

  • avillinha comentou em 04 de maio de 2009 às 02:27 :

    esta e uma questao complicada.

    vou te falar que DETESTO aqueles jornalistas sensacionalistas, na linha AQUI AGORA, LINHA DIRETA e afins.

    porem neste caso, senti que foi algo de dentro mesmo, uma inconformacao.

    em quase todas as aulas de jornalismo aprendemos que temos que ter etica, moral, etiqueta, postura e muitas outras coisas quando tratamos de assuntos e pessoas, principalmente quando estes sao polemicos. o jornalista brasileiro tem que ter tudo isso e ainda ser imparcial, para nao “cair em processos”.

    mas ai me pergunto… e a etica, moral, postura e etiqueta dos politicos? ninguem ensina???

  • Alexandre Rivaben comentou em 04 de maio de 2009 às 11:41 :

    Entao, senti a mesma coisa que voce: tb detesto os jornalistas sensacionalistas mas senti que neste caso foi mesmo um desabafo, por isso até postei aqui!

  • Alexandre Rivaben comentou em 04 de maio de 2009 às 11:43 :

    Fala Lekker!

    Eu concordo plenamente com você mas faz tempo que penso em uma coisa… não é zoeira não, é uma pergunta séria que quero fazer e que me incomoda faz tempo:

    O que podemos (povo) fazer? Digo, em termos práticos sabe? Porque eu vejo um monte de gente falando que a gente não faz nada para melhorar a democracia e que não fazemos valer nossa voz… mas aí eu pergunto: como fazer isso? Sério, as vezes acho que o que falta ao povo é um modelo, um norte, sabe?

    Idéias?

  • Camila Shiguemi Ishiki Coghi comentou em 18 de maio de 2009 às 19:50 :

    Lê, acho que o que falta é indignação e posicionamento.

    Uma coisa que sempre questionei na mídia e política brasileira foi essa “imparcialidade” em tudo.

    Não é preciso sair aos berros sensacionais movidos a indignação teatral e Ibope para expor sua posição contrária.

    Normalmente, em países politicamente mais desenvolvidos, existe ao menos a impressão de ideais mais claros. É possível comprar um jornal e saber o que aqueles que são de direita pensam sobre um assunto e quais os seus argumentos e comprar um segundo jornal e ler a mesma notícia do ponto de vista da oposição.

    E qual é o problema nisso? Por que temos que ser tão confusamente imparciais? Aliás, isso nem existe, mas já é assunto para um outro momento.

    Às vezes, chego a pensar que essa lambança, esse troca-troca de partidos e a falta de posicionamento dos políticos e dos veículos de imprensa chega a ser propositadamente uma ferramenta de confusão mental da população, para que seja impossível indignar-se com qualquer coisa além de situações isoladas.

    Sendo assim, melhor começarmos as mudanças globais por meio de ações locais, porque elas geram modelos a serem seguidos.

    Eu também estou procurando meios eficientes de “fazer acontecer” e tenho tentado por meio da participação na JCI (www.jci.cc).

    Uma das maneiras de começar é saber quais as causas que deseja defender. O melhor é começar por perto. Por exemplo, você sabe se existe uma Associação de Moradores no bairro onde mora? E quais são os maiores problemas enfentados por você e seus vizinhos cotidianamente? É a falta de policiais na sua rua? Uma iluminação deficiente causada pelas árvores e que deixa todo mundo com medo de andar nas ruas? São os guardadores de carros que ameaçam as visitas por um trocado? É a falta de locais para o lazer das crianças e adolescentes? Falta uma creche pública? O asfalto já está como uma peneira? As calçadas permitem a boa circulação de cadeirantes?

    A partir do momento em que estiverem organizados para resolver essas coisas simples e tiverem um momento na semana para tentarem se colocar na agenda política de algum vereador, saberão concretamente se o retorno de seu voto está sendo positivo ou negativo e pensarão melhor da próxima vez que forem votar.

    É assim que se começa. Depois disso, ao conhecermos os meios e mecanismos de mudança, vamos sendo modelos para outras ruas ou bairros fazerem o mesmo, vamos nos envolvendo em questões da cidade, do Estado, de outros Estados e do país.

    Mas para isso, o que falta é a indignação com a sua situação e com a do outro e a disposição pessoal para tirar as palavras do papel e colocá-las na orelha não só dos políticos, mas como dos seus iguais.

    Quando decidir, me diga, ok?

  • Alexandre Rivaben comentou em 19 de maio de 2009 às 19:40 :

    Oi Cá!

    Era exatamente este tipo de comentário que eu queria ler.

    Concordo plenamente com tudo o que disse (exceto, talvez, àquele parágrafo sobre “a teoria da consipiração” dos jornais rs).

    Era o que eu estava esperando. Estou decidido que quero participar mais ativamente e não apenas reclamar passivamente de tudo.

    Pode explicar melhor como funciona o jci e o que vc tem feito de colaborativo?

    Agradeço,

    Como sempre, sua opinião acrescentando muito!

    Beijao!

  • Camila Shiguemi Ishiki Coghi comentou em 20 de maio de 2009 às 16:37 :

    Oi, Lê!

    Foi um prazer escrever pela primeira vez em seu blog!

    Rs. Como eu disse na “teoria da conspiração”, “às vezes, chego a pensar”… não tenho certeza de nada! rs

    Bom, quanto a JCI…
    Ela é uma ONG formada por pessoas de 18 a 40 anos e que trabalha para o desenvolvimento de 4 áreas básicas: individual, comunitária, internacional e empresarial.

    O capítulo do qual faço parte é o Brasil-Japão, mas existem vários capítulos diferentes que promovem projetos próprios e outros propostos pela JCI Brasil.

    Alguns dos projetos da JCI:
    - “Nothing but nets”: projeto da JCI mundial para o combate à malária na África, com a arrecadação de fundos para a educação preventiva e tratamento básico da população e compra de mosquiteiros com veneno para colocarem em volta das camas antes de dormir.

    - “Oratória nas escolas”: ensino de habilidades de oratoria em escolas. Cada capítulo escolhe como desenvolver o projeto. Alguns, conseguiram o apoio da Secretaria da Educação de seus municípios e implantaram em toda a rede pública; outros desenvolveram em escolas para cegos; a Brasil-Japão tem desenvolvido na escola Lazar Segall. No final de cada curso, existe um concurso. Os vencedores ganham prêmios e a oportunidade de concorrerem no encontro regional, nacional e mundial da JCI.

    - “Integração”: ensino gratuito de informática para a terceira idade.

    - Palestras e cursos: várias palestras e cursos são promovidos durante o ano para a atualização profissional, capacitação para a gestão de ONGs e motivação dos membros e não-membros.

    Existe mais um monte de outras coisas, porém, o mais importante não é somente o que existe como projeto em andamento, mas a oportunidade de apresentarmos qualquer projeto que tenhamos em mente, vendermos a idéia e, se viável, podemos colocá-la em prática.

    Parece fácil ou difícil demais, dependendo de como encarar, mas tenho participado como um exercício de profissionalismo e auto-motivação.

    A JCI segue algumas normas do parlamento britanico nas reuniões e a gente acaba aprendendo muito, também. Lá, tem presidentes, vice-presidentes, diretores, eleições… política!

    Atualmente, tenho participado somente como voluntária na organização de eventos, palestras e no projeto de oratória, mas estou pesquisando algumas coisas para que eu possa desenvolver e apresentar como projeto, mas ainda está em desenvolvimento…

    Vamos ver no que dá… o importante é não ficar parado e acreditar!

    A JCI São Paulo vai fazer uma apresentação da organização, hoje, às 19h30, na OAB - Rua Afonso Celso, 1200, Vila Mariana.

    Se quiser aparecer, estarei lá.

    Beijão!

  • Alexandre Rivaben comentou em 27 de maio de 2009 às 13:49 :

    Oi Cá, Infelizmente só li este seu comentário depois da terça-feira.

    Eu achei muito interessante toda sua descrição.

    Gostaria de conhecer melhor tudo isso sim. Me avisa quando tiver outros eventos, ok?

    Aliás, vc não tem interesse em escrever um post aqui para o blog com algumas “dicas” ou formas de mobilização social? Eu aceitaria com o maior prazer ;)
    Beijão!

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