Depois de um tempo só falando de filmes, resolvi escrever sobre o livro que acabei de ler, “O Tigre Branco” de Aravind Adiga.

Coincidência ou não, uma amostra do primeiro capítulo dele veio parar nas minhas mãos ( aliás, achei genial essa ideia de algumas editoras de enviar um capítulo do livro e fazer um site para ele, dá-lhe marketing literário!) na mesma época do lançamento da nova novela das 8, aquela que fala sobre a India da Glória Perez. Gostei do que li, comprei o livro e só consegui terminar agora que entrei em férias (é! Férias! e isso justifica a escassez de textos dessa semana! :) ).

Ao começar a ler livro ganhador do Man Booker Prize de 2008, o maior prêmio literário inglês e um dos maiores do circuito mundial, o que dá para perceber – e que cativa absurdo! – é a originalidade no modo como a história é narrada.

O livro nos leva a um India totalmente diferente da cenografia caricaturada da novela. O protagonista, Balram Halwai, inicia escrevendo uma carta ao primeiro ministro chinês que supostamente irá visitar seu país e já deixa claro o quão diferente a India é desta nossa visão global atual. A ambientação é descrita de forma ágil e serve de contraponto para o que Glória Perez chama de India. Apesar de se aproximar de forma social do razoável “Quem quer ser um milionário?”, se afasta deste na medida que percebemos que a realização de sonhos e a concretização da esperança, foco do conto de fadas do filme, só existe na chamada Luz (ricos) e que, se não impossível, é algo extremamente raro nas pessoas da Escuridão (pobres).

Eis que Balram, nacido na Escuridão, não aceita a própria sorte e sai em busca de uma guinada social, algo que acaba conseguindo através do que chama “um ato de empreendedorismo”: assassinar e roubar o seu patrão. Esse ato dá o mote de toda a história, com Balram narrando toda sua ascensão através de cartas enviadas ao ministro chinês.

Ah, fazia tempo que não tinha tanto prazer com uma leitura que é capaz de realizar uma crítica mordaz à corrupção e política de um país do BRIC (Brasil, Rússia, India e China), tido como futura potência (qualquer semelhança com o Brasil NÃO é mera coincidência), de forma leve e divertida. Não se tratam de textos filosóficos pesados ou críticas que gerem tensão. Não. Aravind escreve um texto leve, cheio de ironia e sarcasmo que, em muitos momentos, nos traz à recordação o Brás Cubas de Machado.

Indico este livro de olhos fechados para qualquer um. Diverte quem está em busca de distração e faz pensar aqueles que estão interessados – a estes, não deixem de se ater à mudança de personalidade do protagonista a medida em que ele ascende em sua condição social.

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1 Comentário sobre “O Tigre Branco - A India Além da Novela e do Oscar”

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