Apesar do uso comum da palavra utopia como algo inatingível, em sua origem no grego antigo ela se referia a um “lugar inexistente” onde u é “não” e “topos” é lugar, ou seja, o “não-lugar”. Baseado nesse termo criou-se outro que é a distopia. Pegando pela origem, também no grego antigo, seria o “lugar mal”. Costuma-se utilizar este termo como o oposto ou a antítese da utopia.
Toda essa “aula” de grego foi somente para mostrar que você provavelmente já leu ou assistiu uma distopia e não sabia. Claro, na locadora de vídeos, na biblioteca ou na livraria não existe uma seção especial para esse tipo de livro. Você vai encontrá-los sempre na seção de ficção.
Tanto na literatura, no cinema e até em gibis, a distopia trata sempre de realidades paralelas, em geral em futuros próximos ou até mesmo no tempo atual, onde o mundo é um exagero de situações morais e sociais atuais extrapoladas ao máximo. Isso cria uma visão extremamente pessimista e às vez até cômica da sociedade. Exemplos desses exageros são câmeras monitorando todos como em “1984″, sociedades onde o sexo é algo extremamente banal como em “Admirável Mundo Novo” e até mesmo onde a sociedade é 100% segura e “intocada” como em “O Demolidor” [sim, aquele filme do Stallone com o Wesley Snipes que você odiou].
Em geral as distopias são marcadas pelo autoritarismo ou totalitarismo. Mas não só do governo, como em “1984″ e “Fahrenheit 451″, mas as vezes da própria sociedade com seus preconceitos, como em “Gattaca”, ou violência, como em “The Warriors - Os Selvagens da noite”, e até mesmo por grandes corporações, como em “Robocop”.
O que mais me chama a atenção nesse tipo de história é que grande parte delas foi escrita até antes de 1950 mas muitas delas costumam ter situações que na época pareciam absurdas mas hoje estão quase próximas da nossa realidade. Não sei se pelo fato de terem sido escritas por visionários ou se elas acabaram de alguma forma direcionando nossas vidas pois é fato que “a vida imita a arte”. Por isso que muitas vezes elas são escritas como forma de avisos para tomarmos cuidado com as direções que o mundo toma.
Em contrapartida, o problema fica por conta da apropriação indevida de seus exageros como forma de lutar por uma sociedade aparentemente mais livre. Cito como exemplo quando alguns críticos entoaram “1984″ ao se referir ao problema de colocar câmeras de monitoramento no centro de São Paulo. Sem entrar no mérito da questão mas para chegarmos em “1984″ primeiro precisaríamos de um governo totalitário, em seguida de um forte esquema de controle e por fim as malfadadas câmeras. Acontece que quando convêm, algumas pessoas fingem não ver o exagero da história [e acredito até que muitas das que citam o livro nunca o leram, só sabem que ele tem câmeras por todos os lados por causa do programa "Big Brother"].
Como vocês puderam ver ao longo do texto, os exemplos de distopias são inúmeros e vão desde histórias ótimas às piores possíveis. Por esse motivo resolvi fazer nos próximos meses uma série citando algumas distopias no cinema e literatura, mostrando quais são os exageros mostrados nelas, qual a semelhança que temos com a realidade hoje e uma breve sinopse dando meu parecer sobre a obra.
Me ajude a escrever essa série deixando um comentário de qual distopia você gostaria de ver comentada em nosso site.
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