No último final de semana assisti a este filme Wong Kar Wai (de “Felizes Juntos”) que é o seu primeiro totalmente falado em lingua inglesa.
Aqui, a grande supresa fica por conta da protagonista, Elizabeth, intepretada por ninguém menos que Norah Jones. É mais um caso de uma excelente cantora que engatinha no cinema (assim como já aconteceu com Bjork e Madonna, por exemplo) e o resultado, devo dizer, é muito bom.
Norah interpreta uma garota que acabou de ter uma decepção amorosa e que, sentindo-se sozinha na imensa Nova Iorque, se refugia no mesmo bar onde seu ex-parceiro se encontrara com a amante. Lá, fica amiga do dono, Jeremy (Jude Law). A partir daí, passam a se encontrar todos os dias, de madrugada, para conversar sobre as decepções amorosas (é neste ponto que justifica o nome original do filme que foi ridiculamente traduzido para este “Um Beijo Roubado”).
Depois de alguns encontros, sem conseguir superar a tristeza da traição, “Lizy” decide sair de Nova Iorque e percorrer os Estados Unidos. A partir daí, vamos nos deparar com uma espécie de road movie onde Lizy encontra várias histórias que convergem para a sua: solidão, tristeza e separação. As histórias paralelas não se cruzam, exceto pelo tema de todas elas: a solidão cosmopolita (repare como durante todo o filme temos sempre um som alto de avião ou trem, ressaltando a vida acelerada das metrópoles).
Assim, Norah (”Lizy”) contracena com Rachel Weisz (novamente brilhante) e David Strathairn (de “Boa Noite e Boa Sorte”) em uma história de abandono e alcoolismo e com Natalie Portman (bem razoável também) em uma pequena visão da solidão familiar.
Mesmo envolvida diretamente nesta histórias, Lizy não consegue deixar de se sentir só (naquela idéia de que estar sozinho não significa estar sozinho fisicamente) e recorre ao “velho” amigo Jeremy para quem manda cartas narrando todos os acontecimentos que a cercam.
Jeremy é o dono do bar e também demonstra toda a solidão que alguém pode sentir vivendo enclausurado no seu mundo de comida, bebidas e clientes (aliás, uma das ótimas cenas do filme é quando Jeremy fala sobre assistir as fitas da câmera de segurança do bar “para não esquecer e conhecer novas histórias”).
Bom, o resto vocês já devem imaginar, não é? Jeremy e Lizy se apaixonam e as histórias vão se resolvendo, bem como as frustrações dos seus personagens (o que culmina na volta de Lizy a Nova Iorque, mostrando a sua “superação” do trauma).
É uma longa bem leve, bem dirigido (embora tenham criticado o excesso de closes, eu achei alguns deles muito interessantes) e que coloca o romance em um novo patamar onde o espectador é levado a questionar sentimentos mais profundos, fazendo-o se identificar mais com as histórias que Lizy presencia em suas viagens. Tem, é claro, seus problemas (a narrativa em “off” do final, por exemplo, se torna meio exagerada como se tudo na vida tivesse que ter uma solução e aquela idéia de “eu aprendi que…”) mas o saldo geral é positivo, principalmente pela originalidade da abordagem. Ah… e, é claro, pela EXCELENTE trilha sonora que tem uma das músicas cantada pela própria Norah.
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Categorias: Cinema
Marcadores (Tags): Jude Law, Natalie Portman, Norah Jones, Rachel Weisz, romance, solidão, Um Beijo Roubado
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