Olá pessoal, depois de um tempo sem postar, estou de volta (vagarosamente, mas de volta); não sem antes agradecer ao Gustavo por deixar este blog vivo e repleto de informações e opiniões muito especiais.
Volto para falar sobre um assunto que mexe muito com a cabeça do brasileiro: o nosso candidato ao Oscar.
A nossa próxima tentativa é “Última Parada, 174″, de Bruno Barreto. Utilizando a mesma estratégia de lançamento de “Tropa de Elite” no ano anterior (que, diga-se de passagem, não funcionou pois a preferência do júri brasileiro foi por “O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias” - que também morreu na praia), o filme se credencia após uma breve exibição em um cinema em Jundiaí, interior de São Paulo. Estréia de verdade mesmo, deve acontecer apenas no “distante” 24 de Outubro, no Rio de Janeiro.
O longa ressalta a nossa nova tendência de realizar ficção embasada em documentário - os três filmes mais importantes lançados por aqui nesta temporada seguem a mesma linha: “Era uma vez…”, “Linha de Passe” e este “Última Parada, 174″. Aliás, esta é tendência antiga, talvez impulsionada pelo sucesso de “Cidade de Deus” (que realizou tomadas improvisadas e “in loco” nas favelas, além de contar com elenco repleto de moradores das próprias favelas, de forma similar às tomadas de documentários) e de “Tropa de Elite” (inspirado no ótimo documentário “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Sales).
No caso do nosso indicado para concorrer a “pré-disputa” ao Oscar, a inspiração veio de “Ônibus, 174″ premiado documentário de José Padilha (o mesmo de “Tropa de Elite”) a respeito da história de um menino de rua que sobrevive à Chacina da Candelária para depois ser executado, junto com a refém, pela polícia, em um sequestro frustrado de um ônibus, no Rio de Janeiro.
A escolha de um filme de Bruno Barreto se mostra acertada já que ele tem muitos créditos no exterior (já concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “O que é isso, Companheiro?”). Mas o que questiono é: até quando ficaremos vendendo a imagem clichê do Brasil para o exterior? Não questiono os méritos do filme de Barreto (que ainda nem vi) mas sim o fato de sempre tentarmos apresentar este mesmo binômio: violência/pobreza. Estranhei o fato de “Linha de Passe” (Sandra Corveloni ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes por sua atuação) não estar entre os concorrentes. O ótimo “Estômago” participou mas não levou.
Sinceramente, fico incomodado com esta imagem que o país “vende”. É como se só conseguíssemos abordar este tipo de realidade; o que não é absolutamente verdade visto ótimos filmes recentes como os já citados. Além deles, ainda temos, “Os Desafinados”, “2 Filhos de Francisco” e, só para não me alongar mais, “Central do Brasil”, filme lírico maravilhoso que chegou ao tapete vermelho e que, muitos dizem, foi muito injustiçado por não ter levado a estatueta dourada.
Enfim, cabe a nós torcer, como brasileiros esperançosos que somos, mas, será que a escolha foi mesmo acertada? O que vocês acham? Mesmo sem ver o filme, é interessante sempre manter o mesmo tipo de “pano de fundo”? Qual será a próxima safra de cenários para nossos filmes: carnaval, praias e bundas?
O que vocês acham? Comentem!
Abaixo, o trailer do nosso candidato:
…e uma parte do documentário que o inspirou:
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Categorias: Cinema
Marcadores (Tags): Bruno Barreto, cinema nacional, documentário, Oscar 2009, Última Parada 174
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Olá Alexandre,
Concordo com vc, é realmente triste ver que só conseguimos destaque no exterior mostrando a “desgraça brasileira”. Vc comentou Central do Brasil, acho porém que apesar de ser realmente bem bonito, não deixa de acabar caindo na mesma história da pobreza e da miséria.
Enfim, talvez nosso cinema se destaque só por isso por que a imagem do Brasil lá fora muito se assemelha a esta realidade.
Quem sabe um dia não consigamos entrar para a corrida do Oscar com filmes mais metropolitanos que tb sabemos fazer muito bem! Um dos filmes deste estilo que mais gosto é “Amores Possíveis” de Sandra Werneck.
Olá Gustavo,
Não acho que o Central do Brasil caia no “mais do mesmo”. Claro, o filme retrata sim a miséria mas mais como pano de fundo para uma história lírica em que a ausência da figura paterna acaba norteando as ações. Repare que, ao contrário dos outros, o cenário (pobreza, etc) não é um “personagem” do filme mas apenas um pano de fundo para contextualização.
Também gosto bastante do “Amores Possíveis”. Acho que a Sandra fez um ótimo trabalho ali. Também gostei bastante do “E Se eu Fosse Você” que, apesar do tema clichê, é bem divertido (aliás, já estão produzindo uma continuação para este filme).
Abração,
olá
Gosto muito de cinema e fico realmente muito triste de ver que o Brasil um pais tão rico exuberante e tão cheio de beleza só consegue concorrer la no exterior mostrando o q é de mais triste em um pais,não estou fechando os olhos para a realidade vejo jornais todos os dias e sei exatamente como é , não gostria de ver cenas tão violentas também, em filmes. O cinema brasileiro é muito bom , mais eu gostria de ver filmes brasileiros mais alegres.
nem só de desgraça vive o mundo!
Olá Lidiane,
O pior é que temos exemplos de bons filmes brasileiros que saíram do “violência/drogas/sexo”. Veja por exemplo “Meu tio matou um cara”, “Auto da compadecida”, “A Dona da História”, “Lisbela e o Prisioneiro”, entre outros mas nenhum desses sequer é comentado fora do Brasil.
Agora não sei se o problema é mesmo erro de divulgação das distribuídoras brasileiras ou se é falta de interesse dos estrangeiros.
Olá a todos!
Verei o filme amanhã, estava pesquisando na net para ver se tinha o livro da história do filme, aí achei o blog!
Vou fugir do debate aki, queria falar sobre a problematização do filme, que já até conheço a história…
Li “as ovelhas desgarradas e seus algozes” da Yvonne Bezerra de Mello, que trabalhou com o menino (esqueci o nomeeeee) q sequestrou o onibus, na vida real.
Quero escrever minha monografia em Direito sobre menis de rua, então td nesse sentido quero ler…ja tenho falcao, meninos de tráfico e outrso mais juridics, sociais. QUero me aprofundar em td, filosofia etc…td q fale da natureza humana tb.
Se tiverem indicações…mas esse do filme seria ideal, será q já tem o livro? q vai ser lançado?
errata de digitação (básico ha ha ha)
menis= meninos
Olá Lidiane,
Pois é, concordo plenamente com você. E agora posso até me aprofundar no tema uma vez que assisti ao filme ontem. Vou comentar no meu próximo texto! Não perca! Rs
Kaarynne,
Vou pesquisar livros neste sentido. Você já pensou em ver os documentários nacionais?
O próprio Onibus 174 dá algumas idéias boas para debate.
Tenho uma lista com ótimos documentários nacionais, vou procurá-las e te mando, ok?
Qual será o tema da sua monografia, mais especificamente? Como você vai envolver o Direito nesta questão específica social? (fiquei curioso :P)
Oi Alexandre!
Obrigada pelo interesse!
Com certeza sua ajuda será muito bem vinda, me indique td o que puder, tenho 2 anos para fazer esse estudo, me aprofundar nesse tema que tanto gosto. Amanha verei “Ultima parada 174″, tenho certeza q ele será parte do estudo, até o citarei comparando alguns estudos de caso. Pena que ainda não tem o livro.
Ainda não tenho tema definido, mas falarei sobre os meninos infratores, o ECA e o sitema prisional (ops, menor não é preso) versus a APAC, um sistema prisional inovador, reconhecido pela ONU, q tem em Minas Gerais e em vários países como a Inglaterra e etc, onde o ínidice de ressocialização é de 95% , onde os presos estudam, trabalham, aprendem, e não tem chavs nem polícia- já passou no fantástico há uns bons anos atrás e tive a chance de assistir uma palestra desses presos e fiquei muito emocionada mesmo, gravei bem uma frase deles :”Se é possível reciclar lixo, pq não detentos?”
Como eles dizem, numa prisão normal a primeira coisa q se perde é a dignidade, e na APAC é o que se ganha.
Quero visitar a APAC e escrever com o coração…dar essa sugestão no Objetivos e Metas da monografia, que com certeza uma APAC no lugar desses Padre Severino e tantas instituições fracassadas para ressocialização dos menores infratores, seria td o que eles n tiveram, pois na APAC tem essa junção de família e amigos, que é o sucesso do método. Os que não tem familia, recebem um apadrinhamento e assim não se sentem sozinhos, desamparados, sem o cerne que é a família.
Já estagiei na Defensoria Pública e sempre vi que os infratores , em suas fichas, constavam só o nome da mãe. Aí vc vê, familia desestruturada…a historia se repete, mãe trabalha o dia td, o filho fica na rua, aprende o que não deve…Uma planta que cresce desestruturada com sua raiz quebrada, dificilmente dará bons frutos…
O que pretendo ao escrever é isso, mostrar que a sociedade está desestruturada sim, talvez não consiga mudar isso, mas os bandidões de amanhâ, os menores de hj, podem ter uma chance indo pagar suas penas de “reabilitação” num lugar onde terão td o que não tiveram…Quem sabe as prisões do Rio num segundo momento tb não seguem esse modelo q deu certo em vários estados de Minas…
Enfim…
Como vê o tema é fascinante. Tb tenho a ambição de um dia ter um abrigo, uma escola ecológica inovadora e trabalhar com meninos de rua…Quem leu as ovelhas desgarradas e seus algozes da Ivonne Bezerra de Mello entra nessa universo, tem vontade de ser como ela, pelo menos um pouco…
Oi Karyne,
Acho muito legal sua visão de mundo e sua crença que as coisas podem ser melhores. E é bem isso mesmo, o início é a infância, estrutura familiar, educação…
Quero ler sua monografia quando ficar pronta, ok?
Hoje estava navegando e lembrei de você, olha só:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/11/18/ult5772u1519.jhtm
É disso que você comentou, né? Muito interessante!
Oi Alexandre!
Eh exatamente isso, essa reportagem fala da APAC.
Ontem estive numa palestra na Escola de Magistratura aki no Rio e um dos palestrantes foi um Dsembargador de um Tribunal Alternativo do RS e acredita que ele não conhecia a APAC?
Eu entendo a alternatividade do SUL, é lá que td começa diga-se de passagem, mas ele foi bem radical- não é à toa que o tema da palestra era a “Radicalização Garantista da Fundamentação das Decisoes Penais” e o foco era a falência do sistema prisional que segundo ele, não tem efeito algum. Dados como o índice de reincidência na Suécia ser o mesmo que em BANGU (ambos 70%) e na Inglaterra 56%, me deixaram alarmada… Como ele disse a prisão, nenhuma, regenera. Essa APAC no caso é um sistema integrado, tem assistência religiosa (que para ele é o que realmente pode regenerar alguém ), familiar e etc. Não que ele seja religioso, pelo contrário, era um Dsembargador bem eloquente, até fumar dando palestra o fez- mas o que ele queria deixar claro era q vários institutos prisionais, com amparo psicológico e td o mais, nunca regenerou ninguém. Ele foi categórico na sua radicalização contra o sistema prisional, porém, não colocou outras opções- o que tentarei conversar com ele por email, já q fui bem inconveniente em no final pedir- coisa que ele nçao quis fazer qdo o fiz pelo microfone. Trata-se de uma pessoa que com certeza iluminará minha pesquisa, não podia sair de lá ontem sem ter esse contato. Pedi bibliografias e anotei várias frases que ele falou na palestra…
Muitas pessoas se revoltaram, alguns estudantes de direito tem alma de promotor…Mas pude entender o pto de vista dele, pq como ele disse “Damos o mal que recebemos, damos o bem que ganhamos” - Ao se referir ao maníaco do Parque que estyprou e matou tantas mulheres e depois veio à tona que qdo criança, ele foi várias vezes violentado…Não que isso seja uma justificativa, mas como a frase fiolosofa, realmente damos o que recebemos…E concordando com ele, o problema está na alma do infrator. E mais uma frase: “Derrubem os muros, levantem os homens”.
Ele mesmo deu exemplo de uma vez q se impediu de julgar, coisa q td juiz nunca pode deixar de ser, imparcial, pois senão o Estado torna-se vingador, igual ao delinquente. A razão deve prevalecer.
E como ele disse todos nós somos criminosos, temos eros e tanatos ( vida e morte) conflitando em cada um de nós. A diferença está somente na fronteira do outro.
Quem não é corrupto? QUem não recepta roubo? (compra em camelô), CD pirata?
Enfim…
QTo ao Filme, assisti na 6F e gostei mto. Chorei do início ao fim…
Anotei o nome do autor -para ver se acho algum livro…
ALguém lembra do nome dele (Não sei aonde está o papel agora, meu quarto está uma favela ha ha ha).
Engraçado, aquela moça da ONG no filme se chamava Valquíria, mas a Yvonne Bezerra de Mello fazia exatamente o que ela fez , e foi a única q foi lá ver o momento da Chacina…
Será q mudaram o nome dela? Vou entrar no Orkut e tentar tirar essa dúvida, tem a comunidade dela.
Abraços a todos!
“Derrubem o muro, levantem os homens” - Gostei. Vou anotar aqui.
Karyne, muito boa a sua participação no Blog, essa troca de conhecimento e informações está sendo muito valiosa para mim! Espero que a recíproca seja verdadeira
Sobre o filme, acho que o nome da Yvonne foi mesmo alterado (já descobriu no orkut?).
Estou elaborando um post sobre ele mas antes quero assistir ao Onibus 174 (o documentário) para fazer alguns contrapontos.
Aguardeeeee….
Oi Alexandre!
Q bom q as msgs postadas aki vão p meu email, pq esqueci o dominio desse blog!!! Queria ter postado outra coisa e não lembrava o site daki ha ha ha.
Tenho trocado emails com a Yvonne Bezerra de Mello e já fui convidada p conhecer a Ong dela, o Projeto uerê. Perguntei sobre o nome dela no filme e de fato a “Tia Valquíria” era ela, mas com nome diferente. O pq da troca do nome ela não disse, mas ontem achei na comunidade do Orkut “Uerê” várias matérias que ela dizia o qto tem sido perseguida e até ameaçada de morte. O próprio autor do filme (Barreto né) entrou em contato com ela para escrever a história. Pena que não colocaram fatos como ela ter tomado banho no chafariz da candlária com as crianças p ver como era a vida delas ou qdo dormiu com eles na praia (outro grupo que ela ajudava). Enfim como se vê trata-se de um ser humano admirável, que ultrapassa a barreira da solidariedade e amor ao próximo. Ela simplesmente, ao meu ver, é a mãe que as crianças de rua, abandonadas pelo Governo, pela Lei que as protege (ECA) e odiadas pea sociedade, que não perecebem que essa grande mulher não é culpada de nada, não alimenta e educa marginais, mas faz o que o Estado, garantidor disso td, não faz. Culpar os corrpuptos ninguem faz, pelo contrário, ainda dizem que “eles roubam, mas fazem” e votam de novo. Mas na hora de ver que uma socialite, artista plástica com mestrado e doutorado, tem peito para fazer o que ela faz, só atiram pedras. Neses posts nessa comunidade li esses relatos e fiquei pasma. No livro ela já relatava isso, que a viam na rua ensinando as crianças a ler, e a chamavam de louca, que deveria colocar as crianças no Othon (pq eh o marido dela) e etc. Como disse lá, se Cristo foi crucificado, julgado e condenado…e cuspido na rua como ela tem, penso que sua missão árdua, é iluminada e florida ta,bém. Vejam o site da ong dela, os projetos, o cuidado, os esforços e grandes ajudas como bolsas no exterior…Se isso não é mudar uma realidade, por mais pequena que seja, não sei mais o que é idealismo. Eh de grão em grão de areia que as construções são erguidas.
Depois de ler td isso tive minha resposta do pq no filme não terem colocado o nome dela.
Vou ficando por aki.
Abs,
Kaarynne
PS: Achei o email dela no orkut!!