Confesso que assisti a estréia de 9mm São Paulo (Fox, Terças, as 22:00) de maneira inquieta. Não havia lido muito sobre a série, o máximo que vi foram alguns teasers no próprio canal de exibição e uma pequena matéria em algum lugar com o título: “CSI à brasileira” - aliás, se você quer assistir um CSI à brasileira assista qualquer coisa, até “A Favorita” vale, mas não assista a esta série. Comparar 9mm com CSI seria comparar Futebol Americano a Futebol apenas porque os dois esportes usam uma bola - no caso do futebol americano é um bola oval; da mesma forma, em 9mm estamos acompanhando o cotidiano de policiais civis de São Paulo e não a Polícia e Perícia Técnica (como é em CSI).
Foi uma experiência ímpar para uma produção brasileira: além de ser rodado em 9mm (repare na ambigüidade do título), é notável o esforço de toda a produção para dar uma cara profissional ao seriado, buscando um padrão de qualidade inexistente por aqui, até então, no gênero. É como se finalmente tivéssemos entendido o sentido da coisa, após engolir 3.493 enlatados americanos, aprendemos como se faz…
Aprendemos mesmo? Acredito 90% que sim. As tomadas anguladas e os repentinos e recorrentes closes nos trazem a sensação de estarmos assistindo um documentário/série. Foi sem dúvida uma grande sacada pois a enfase é essa mesma: nos fazer acabar o episódio com aquele gostinho de realidade, como se fôssemos ver nas manchetes do dia seguinte as histórias sobre os casos apresentados. Porém, esta opção pode não agradar a todos. Admito que em princípio fiquei chateado, pensei: “lá vem os brasileiros querendo inventar de novo!” Mas depois de alguns minutos nos acostumamos a este tipo de transcrição da narrativa e aí tudo flui de forma rápida, tão dinâmica - não podemos esquecer da angustiante e eletrizante trilha sonora que aumenta a imersão na realidade policial paulistana e as tomadas rápidas para alternância do foco narrativo - que mal conseguimos respirar.
Aliás, este é um dos maiores “contras” que constatei na série: a sensação de tensão é tal que dificilmente o abandonará ao término do capítulo: até o “contra” é algo relacionado a imersão e realismo; terminar de ver se sentindo elétrico e cansado é sinal que o objetivo primordial da série foi atingido.
Além disso, o enredo é bem amarradinho - claro, houve sim alguns clichês neste primeiro, como ao mostrar um criminoso poderoso com duas mulheres ao seu lado, cena comum em filmes de mafiosos. Porém o que mais me alegrou foi o caráter esférico dos personagens (e isso é algo raríssimo no Brasil), algo que deixa ainda mais evidente a tentativa de retratar a vida policial nua e crua: no final, a pergunta de um personagem a um pastor: “- Deus existe?” e o seu desfecho são memoráveis; não apenas pela cena em si mas pela decisão tomada pelo policial que o deixa ainda mais esférico e melancólico do que possa parecer. Aliás, a trama está recheada de “deixas” que nos fazem questionar e até torcer para que os protagonistas mantenham sua “integridade” inicial - coisa que acho difícil de ocorrer.
Parece que neste ano teremos mais 3 episódios. Porém, mais 9 estão sendo preparados para 2009. Vamos torcer para que a qualidade continue assim. Por enquanto, a Fox já ganhou um fã para as terças a noite. Espero voltar na próxima semana para comentar o 2o episódio com a mesma intensidade e emoção de hoje.
Ah, para que quiser maiores informações tais como: elenco (comentarei em textos futuros) e sinopse desse 1o episódio (reparem que propositalmente sequer a mencionei aqui de tão secundária que ela se torna em face dos protagonistas e suas próprias existências), eis o site oficial e uma matéria com algumas informações da estréia.
Para quem perdeu e quer assistir, as datas e horas das reprises divulgadas são: Quarta, 11 de junho às 4:00 e Sábado, 14 de junho à 1:00.
Abaixo, um vídeo com trailer e entrevista com produtores e protagonistas. É um pouco longo (cerca de 9 minutos) mas vale muito a pena para complementar tudo que escrevi até aqui.
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Categorias: Séries
Marcadores (Tags): 9mm São Paulo, cinema nacional, drama, personagens esféricos, policial, realismo
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