Devo admitir que esperava mais deste 3o episódio da série. Acredito que os dois anteriores foram tão bons que acabaram elevando minha expectativa a ponto de esperar algo especial, único. Não foi isso que aconteceu mas nem por isso o capítulo pode ser considerado ruim.
Mais um Golpe na Juventude Perdida
Sim, como na terça anterior, a trama aborda novamente a juventude. Desta vez, o foco é nos jovens endinheirados que viram ratos de academia e que acabam extravasando todas as frustrações de uma vida sem desafios na violência - aqui me lembro de casos verídicos como do índio pataxó queimado vivo ou da mulher agredida no ponto de ônibus no Rio (os rapazes “acharam que ela era uma prostituta” - como se isso fosse algum motivo para agressão gratuita).
Achei interessante que algumas pessoas rebateram meus textos anteriores sobre a série dizendo que ela está repleta de clichês: o policial justiceiro, as tramas recheadas de fatos já abordados antes, o deputado “influente”, etc. É muito válida esta observação e não deixa de ser real, porém, acredito que mais do que clichês, são fatos cotidianos, que vivemos diariamente em São Paulo. Além disso, a grande sacada é abordar um assunto comum sobre outro ângulo - o que exime ou diminui o peso de se mostrar algo que “aparentemente” já foi visto.
Voltando a trama, a ação desta vez aborda jovens da classe A, lutadores de jiu-jitsu, que agridem e matam um garoto da periferia que estava voltando do trabalho.
Achei a idéia meio batida, meio estilo “Malhação de ser” - principalmente pelo fato de uma das testemunhas ser a filha da Investigadora Luísa… - mas o fato de ação ser praticamente toda filmada em primeira pessoa, pela própria Dani, deixa tudo um pouco diferente, até instigante.
Impunidade e Medo: a realidade do Brasil
A partir daí acompanhamos a um série de tentativas dos policiais para incriminar os marginais: 3p entra para a mesma academia e acaba “amigo” da galera - aqui me decepcionei um pouco porque a tal “amizade” não foi lá tão bem explorada e logo se acabou (talvez devido ao fator tempo - se existisse outros episódios, esta idéia poderia ser estendida); Luísa e Tavares usam dos contatos do último para encontrar um dos sobreviventes do espancamento; Horácio investiga a Academia e Eduardo se esforça para cercar o garoto e a sua mãe, uma influente advogada.
No caso deste último, ficam evidentes as dificuldades da equipe por se tratar de um jovem rico e dito “instruído”: seu sogro influente o telefona dizendo para desistir da investigação; a advogada e mãe do garoto aproveita de alguns assuntos da corregedoria e alguns métodos do delegado para se esquivar da incriminação de seu filho.
Fica evidente também a integridade de Eduardo que, apesar de aparentar gostar dos holofotes, não poupa esforços na busca de justiça através da polícia. Eduardo se move através da máxima “os fins justificam os meios” desde que amparado pelos métodos policiais - esta afirmação fica mais clara quando se irrita com Luísa e pede para ela deixar de investigar outro policial (Horácio), envolvido em um crime no 1o capítulo da série, que demonstra não apenas o corporativismo policial mas que apesar de não concordar com os métodos (meios) de Horácio (métodos “alternativos”, digamos assim), o admira pois ele alcança os seus objetivos (fins).
Gostaria de saber até quando essa integridade irá durar uma vez que a pressão tende a aumentar bastante em capítulos posteriores. Torço ainda para que haja um enfoque maior nesta situação, principalmente envolvendo o “triângulo”: Eduardo x noiva x sogro (deputado).
Finalmente, a mensagem fica evidente no desenvolvimento de 3p, um dos poucos que ainda não havia ganhado destaque na trama. Ao se tornar amigo dos culpados e perceber o resultado pífio das investigações, decide se vingar no maior estilo Horácio de ser… e é neste momento que ficamos com um gosto amargo na boca após uma frase (que também dá título ao episódio) de um dos personagens:
“- Eu sou mais forte!”
Em paralelo a todo esse questionamento sobre o quão impune as pessoas podem ficar, assistimos ao medo dominando as pessoas envolvidas no caso: um dos sobreviventes não queria depôr pois sabia que “gente rica não vai para a cadeia”; Luísa impede a filha de testemunhar por já ter experiência neste tipo de assunto e, conseqüentemente temer pela sua integridade.
Corregedoria: A Polícia dentro da Polícia
Muito boa a idéia de introduzir a personagem de Paula representando uma policial da corregedoria.
Melhor ainda apresentar os métodos pouco convencionais dos policiais para atingir seus objetivos: Tavarez pega um carro apreendido (“- É 2005, quase zero!”); Horácio espanca um dos suspeitos para obter o que quer…
Gostaria que essa “realidade” continuasse sendo retrata e que não fosse apenas fruto de 1 capítulo.
Carnaval da Mídia: onde estava?
Reparem que, ao contrário da trama dos jovens ladrões, aqui a mídia não aparece muito, se restringindo a um anúncio na rádio sobre a morte do garoto espancado. Isso é proposital, a mídia não se envolveria em um caso onde os ricos simplesmente “eugenizam” um bairro chique da capital - aqui não podemos confundir com casos de ampla repercussão na nossa sociedade envolvendo pessoas de classe média/alta, reparem que nestes casos (Suzane Richthofen ou caso Isabella Nardoni, por exemplo) os crimes são bárbaros, envolvendo indivíduos (criminosos e vítimas) da própria família e não “simples” crimes de ricos contra pobres… É muito interessante, portanto, essa preocupação, mais uma vez enfatizando a realidade do nosso Brasil.
9mm São Paulo: Defeitos
Sim, infelizmente encontrei alguns defeitos e achei bom mencioná-los. Aliás, acho que esta foi a pior das 3 tramas já exibidas. Por que isso?
1 - A idéia em si, apesar de um pouco batida, poderia funcionar bem se não fossem alguns “ganchos” falhos utilizados pelos roteiristas:
- o fato de Dani, filha de Luísa, estar presente no momento do crime me soou forçado demais, até certo ponto irreal (opa, não era essa a mensagem da série? Realismo?)
- na ausência de um elo para associar Dani ao caso, optou-se por uma decisão bizarra: o sobrevivente (aquele que não quis testemunhar) era um ótimo desenhista (hein?) e desenhou Dani e os dois espancadores.
- a cena do interrogatório do garoto é muito ineficaz uma vez que, quando Eduardo cita Dani e o garoto se irrita, a mãe dele entra em cena e começa a falar coisas fora de contexto e sai da sala - até aí, tudo bem, mas isso acontece 2 vezes durante a história. Fiquei me perguntando: por que, afinal, a mulher levou o seu filho até a delegacia já que ele não havia sido intimado?
- antes de entrar em coma, o rapaz agredido pronunciou a seguinte palavra: “Orion!”; nome da academia dos agressores. Precisa falar mais alguma coisa? ![]()
2 - Ausência dos Elos dos Capítulos Anteriores: no capítulo anterior, vimos Dani entrar em estado de choque, em clara alusão a uma overdose. Neste, isso sequer foi citado. Aliás, houve uma tentativa errônea de não perder o fio que move esta personagem (drogas) ao exibir uma ligação de seu namorado pedindo para falar com ela - e isso foi apresentando de uma maneira totalmente fora de contexto. Imagino que foi algo para “manter a chama acessa” desse tema, mas foi bem forçado. No final do capítulo, ainda temos uma briga que, tenho certeza, será esquecida na próxima terça (digo isso pelas propagandas que já vi na FOX).
3 - O desenvolvimento do personagem 3p fico aquém do esperado; apesar de termos uma clara idéia de quem ele é e até onde vai, ficou meio desconexo o fato dele, em princípio, defender os novos amigos e, rapidamente, mudar de idéia e sequer questionar mais tal decisão.
4 - Ausência da PM: Sim. A série é sobre a divisão de homicídios. Mas daí a não apresentar cena alguma com a Policia Militar já é demais não é não? Tudo bem, enquanto estivermos em cenas internas: depoimentos, investigações, etc; vá lá, mas e quando a ação é externa, operacional? Aliás, isso me remete a outra pequena gafe da série: parece que todo o universo paulistano é pequeno demais, tudo acontece com o mesmo personagem, é sempre o mesmo deputado, enfim, algo pouco crível para a realidade de uma cidade imensa.
* Não vou citar o número de intervalos comerciais pois acredito que seja um problema da FOX, mas como irrita, né?
Balanço
Mais prós do que contra, ainda, fato. Acredito muito no potencial da série, principalmente agora que a câmera se acertou (acho que as “sacudidelas” excessivas do 1o episódio eram muito mais para chamar a atenção do que qualquer outra coisa) e os personagens estão mais sólidos, tenho certeza que teremos episódios muito bons por ai. Pena que só teremos mais um esse ano…
E você, o que está achando da série? Qual seu personagem preferido? Acha que conseguirão manter o alto nível de realidade, evitando clichês e tramas rocambolescas?
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Marcadores (Tags): 9mm São Paulo, cinema nacional, drama, personagens esféricos, policial, realismo
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Me digam se vcs nerds não adorariam assistir a um filme projetado pelo não menos famoso ou relevante R2D2?
http://gizmodo.com/386007/r2+d2-projector-in-action-video-verdict-a-must-have
sweeeet!!!
[]s e continuem com os grandes comentários… Marcel.
Com certeza Marcel, eu gostaria muito! rs
Só não queria um computador como o Hal 9000…
Abraço e obrigado pelo comentário
Outro e obrigado pela resposta ao comentário. Aliás, nem estava esperando esse “obrigado pelo comentário”.
[s]
[...] para notar a frieza da relação das duas. Mas, assim como no capítulo anterior, volto a criticar a superficialidade do roteiro e a forma como soou forçada essa alternativa para [...]
[...] 3o - Eu Sou Mais Forte [...]