Após uma ótima estréia, a FOX exibiu ontem ao 2o episódio de “9mm: São Paulo” e não decepcionou.
Aliás, devo dizer que superou o 1o, em muitos sentidos, principalmente no desenvolvimento dos personagens que aos poucos vão nos envolvendo com suas histórias peculiares.
TRAMA: O Poder da Mídia e a Educação dos Jovens
Ontem, assistimos a uma história comovente: 3 jovens da periferia resolvem assaltar um japa “empreendedor” da Rua Sta. Ifigênia. Porém, por um descuido do menino-assaltante, a casa pega fogo e a família japonesa, que estava presa em um cômodo, acaba morrendo queimada.
* Pausa na descrição: fantástica as cenas do assalto e do incêndio. Como de costume, tudo muito rápido, cortes bruscos, tocante a atuação da família nos seus últimos segundos de vida.
Na tomada seguinte já vemos uma jornalista apresentando a notícia e fica fácil constatar o pano de fundo ao redor do crime: a influência direta da mídia para criar monstros.
Com o “caso Isabela” em voga, reparem como o tema é atual. Na vida real também tivemos uma super-exposição do casal Nardoni (não vou entrar no mérito inocente/culpado que é a grande “alavanca” da mídia para jogar o público contra quem entender com o simples objetivo de ganhar pontos de audiência), assim como o desenvolvimento do episódio coloca toda a opinião pública contra os garotos, a ponto de muitas pessoas comuns desejarem a justiça com as próprias mãos. Em determinada “entrevista”, por exemplo, um senhor brada enfaticamente: “- É por isso que eu tenho saudades do Lampião!” Fazendo uma clara referência à “justiça com as próprias mãos”.
Reparem também como algumas cenas mostradas na tv são fortes: entrevistas com palavrões e cenas dos cadáveres queimados; a série manda sua mensagem: como evitar a forte pressão sensacionalista e formadora de opinião da mídia?
Enquanto o povo se enfurece contra os supostos assassinos cruéis, acompanhamos as ações da equipe de protagonistas o que nos aprofunda ainda mais no seu complexo universo:
EDUARDO: “A mídia cria monstros!”
Mais uma vez percebemos a influência de seu sogro - o deputado que o protege e o faz alçar vôo dentro da polícia. O caso não era dele mas por ter grande repercussão acaba “caindo” em seu colo.
Achei interessante uma cena que ele aparenta ser um mero joguete nas mãos do sogro e de sua mulher.
” - Você se porta bem na frente das câmeras (…) Com meu pai a gente vai longe!”
Em momento algum ela se preocupa com o trabalho do noivo ou o crime bárbaro e o perigo pela qual ele está passando…
Aliás, Eduardo parece o mais íntegro dos personagens. O seu depoimento ao resolver o caso é algo que gostaria muito de ter ouvido aqui, na vida real, no caso Nardoni e em outros casos que já aconteceram ou estão por vir. Óbvio que o depoimento não agrada seu sogro…
TAVARES: “Bandido é bandido, polícia é polícia!”
Mais uma revelação bem próxima da vida real: o investigador tem contatos com o mundo do crime, ao que parece, até já participou dele. O encontro com o “chefão” Abacate é um dos momentos mais tensos do episódio e é quando ele (Tavares) demonstra coragem e até imprudência, aparentando uma certa cegueira relacionada ao crime - somos levados a acreditar durante toda a história que ele deseja uma punição severa e direta (”os fins justificam os meios”) aos adolescentes criminosos.
Interessante: Não estou acostumado a ver séries na FOX e não sei se esse é o padrão para todas elas ou se só foi adicionado em 9mm, o fato é que, em determinado momento da conversa com Abacate, é mencionado o passado de Tavares e, um texto aparece na tela, com as propagandas da FOX, escrito: “Para saber mais sobre o passado de Tavares, visite: www.mundofox.com.br/9mm. Achei fantástico essa conexão entre a TV e a Internet. Muito boa idéia!
HORACIO: “Vai lá e diz para o seu pai que não é culpa dele!”
Não posso negar que Horácio é meu personagem preferido da trama. É um canastrão que, nas palavras do próprio Norival Rizzo, ator que o interpreta, “age sozinho dentro do universo da polícia”.
Aqui, vemos o cerco se fechando com relação ao crime cometido por ele no episódio anterior. Contudo, ele parece não se importar e responde à sua colega de profissão Luísa (que está investigando o caso), de forma ríspida e seca.
Horácio e também Luísa (ver abaixo) possuem histórias similares, que vão se desenvolvendo ao longo do episódio e nos leva a constatar outra mensagem da trama: o futuro dos jovens; a educação que damos aos nossos filhos nestes tempos violentos e de muito trabalho onde muitas vezes sequer compartilhamos de suas rotinas pois estamos batalhando para lhes prover seu sustento básico.
É com Horácio a cena mais tensa, que remete ao capítulo anterior e na qual chegamos a questionar sua sanidade e crueldade.
Concluo dizendo: É difícil não se apaixonar por este anti-herói.
LUISA: “- Filha, desculpa por não almoçarmos juntas!”
Luísa carrega em si o esteriótipo do policial que enxerga a delegacia como seu primeiro lar. Extremamente dedicada, só se importa com os casos do departamento de homicídios.
Se tornou mãe solteira aos 15 anos. Sua filha, Daniela, é uma adolescente rebelde e carente que se envolve com um rapaz drogado. Neste episódios vemos o desespero de Dani, uma adolescente romântica, pela atenção da mãe.
Assim como a história de Horácio (que não vou contar aqui para não “estragar” alguns mistérios do enredo), acompanhamos aqui mais uma vertente do distanciamento pais e filhos.
Na minha opinião, a história de Luiza e filha ainda pode ser melhor explorada bem como o perfeccionismo e a frieza da mãe tanto no trabalho como no tato familiar.
Observação: Faltou sim falar do outro protagonista, o 3P mas acredito que ele desempenhou um papel muito secundário nesta trama. Acredito que poderei falar dele com mais precisão nos próximos textos.
O Estreito Caminho da Lei
Finalmente devo dizer que continuo feliz com esta grande produção nacional. Os problemas constatados no 1o capítulo parecem nem existir mais (me refiro aqui à movimentação furiosa da câmera que incomodou alguns telespectadores).
Outro ponto positivo e marcante é a continuidade das histórias (neste, vemos um personagem investigando um crime do capítulo anterior); fato fundamental para o desenvolvimento e evolução dos protagonistas.
Além de tudo, é interessante notar a importância que a FOX vem dando para a produção: desde a escolha dos atores, chamadas na tv, conteúdo da internet (e interconexão deste com a própria série), campanha de marketing arrojada e chocante; enfim, é muito bom ver que estamos chegando lá…
Abaixo a criatividade, na prática:
Observação: Apenas uma constatação: no site da Fox há uma enquete perguntando qual o melhor policial e não é possível votar nos personagens Luiza e 3P - uma pequena pisada na bola que um chato não poderia deixar passar batido.
Categorias: Séries
Marcadores (Tags): 9mm São Paulo, cinema nacional, drama, personagens esféricos, policial, realismo
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[...] 25 junho 2008 18:35 Devo admitir que esperava mais deste 3o episódio da série. Acredito que os dois anteriores foram tão bons que acabaram elevando minha expectativa a ponto de esperar algo especial, único. Não foi isso que [...]
Ola amigo! Nao sou de ficar fazendo comentario, mas eu queria parabeniza-lo pelo otimo site que voce tem! Continue com esse otimo trabalho!
Olá Luiz,
Obrigado pelo elogio e pela visita! Espero que apareça mais vezes!
Abraço,