Eu acredito que para alguns artistas, a morte foi uma boa opção. Não para eles, claro, ninguém deve achar uma boa opção estar morto, mas para os fãs.

Convenhamos que, em qualquer área que você trabalhe, parar no auge, como fez Justine Henin do tênis, é um tanto quanto difícil. Se pensarmos então para artistas da música deve ser mais difícil ainda, pois você tem toda a bajulação e afins, existe sempre aquele público fiel, enfim…

A prova disso é que a cada dia vemos mais e mais artistas voltando a ativa após anos, bandas se re-encontrando para novos shows e etc. E é difícil ver bandas e artistas tomarem decisões como fez o Los Hermanos de parar enquanto tem sucesso [apesar que esses já arranham uma volta também].

Pior ainda é quando a banda ou artista não se contenta somente com alguns shows com os clássicos que lhe deram a fama, como fez o The Police, e resolve lançar um disco de inéditas. A chance desse disco ser um fracasso deve passar a barreira dos 80%, correndo ainda o risco de estragar tudo aquilo de bom que foi feito no passado.

Sempre que eu penso nesse assunto alguns artistas me vem a cabeça, mas em especial mesmo vem Jim Morrison.

Imagino que Jim Morrison, caso não tivesse morrido, seria como um Roger Waters. Você pode adorar Pink Floyd [eu não gosto] mas não há como negar que a carreira solo de Roger Waters seja um tremendo fracasso, não em termos financeiros pois hoje ele deve ganhar muito dinheiro com os shows que faz cantando as musicas do Pink Floyd, mas em termos artísticos.

Veja Jimmy Page e Robert Plant. Foram, voltaram, juntaram com outros, fizeram solo… Tudo isso pra nunca chegar perto do que foi o Led Zeppelin.

Se Jim Morrison estivesse vivo hoje, com certeza estaria excursionando com o “The Doors” mundo a fora para ganhar esse extra no fim da vida. Mas o problema mesmo seria o que ele teria feito entre o auge e esse fim de carreira.

Eu imagino que os discos do “The Doors” nesse ínterim seriam aqueles discos de artistas que acham que ninguém é inteligente suficiente para entender aquilo que eles fazem e que o mundo não está preparado para eles. Ou seja, CHATOS! A trilha sonora perfeita para os filmes do David Lynch.

Mas não. A morte, com seus mistérios e sutilezas, se encarregou de fazer com que o “The Doors” fosse para sempre lembrado pelo que fez e não pelo que estragou.

Quais outros artistas você acha que caem nessa situação? Deixe seu comentário.

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15 Comentários sobre “Ouvido Esquerdo: A morte lhe cai bem”

  • Rodrigo comentou em 27 de junho de 2008 às 09:03 :

    Fala fio, então, eu acho q o Doors não ia ter assim essa coisa de voltar e regravar. O maluco era muito pirado pra fazer esse tipo de coisa “normal” saca?

    Se ele não morresse naquela data, provavelmente morreria um pouco depois, hehehe. Enfim, o cara tava a frente do tempo dele.

    Claro, cada um tem seus méritos, mas nem se compara o JIm Morrison com o Waters, na minha opinião… heheheheh e eu tb não gosto de Pink Floyd.

    Outras bandas no mesmo esquema? Acho q a fusão Soundgarden + Rage Against = Audioslave tb nao deu muito certo, poderia ter parado por ali. É isso ae, abraço proceis.

  • Gustavo Ayres comentou em 27 de junho de 2008 às 13:36 :

    Ah sim, isso é verdade, se ele não morresse naquela data, seria um pouco depois, e se não fosse seria ainda um pouco mais depois, hehe.

    Tae, Rage Against the Machine foi uma banda que não teve o toque da morte para parar no auge. Mas se você lembrar, o disco do Zach De La Rocha não saiu até hoje, ou seja, deve ser parecido com o Roger Waters, uhauhahuau

  • Alexandre Rivaben comentou em 27 de junho de 2008 às 18:41 :

    Não concordo. Acho que o Jim estaria mais para um Bob Dylan, sempre agindo de acordo com sua própria vontade ao invés de se ater a desejos da mídia e dos fãs.

    Também não acho o Audioslave ruim, se não teve o mesmo sucesso que o Rage, acredito que foi devido a forte concorrência (afinal, o Rage fazia músicas políticas e o Audioslave tento embarcar no rock-balada tradicional, não é mesmo?)

    Eu gostaria muito de saber qual teria sido o destino de:

    - Sublime (acredito que cairia no “esquecimento”)
    - Nirvana (como será que o Kurt lidaria com a onda “papparazzi”?)
    - Alice in Chains (?)

    Ah, faltou também citar aqueles que “morrem mas já vão tarde” né? como acredito ser o caso do Renato Russo (não fiquei feliz com a morte dele, antes que me interpretem mal, mas o cara já tava no ápice da decadência criativa né?)

  • Alexandre Rivaben comentou em 28 de junho de 2008 às 21:37 :

    Hmmmm e esqueci do maior, de todos eles, inclusive acho que merecia um texto da coluna: John Lennon.

    Seriam os Beatles igual aos Rolling Stones hj em dia? Será que teríamos um The Beatles Revival?

  • Gustavo Ayres comentou em 28 de junho de 2008 às 21:56 :

    cara, acho que John Lennon seria um chato a parte. As músicas continuariam a ser boas, mas ele em si [pessoa, artista] seria um chato de marca maior.

    *eu estou ouvindo o White Album dos Beatles nesse instante que vi o comentário. Que medo, se eu acreditasse acharia que era um sinal, hahaha

  • mariana comentou em 28 de junho de 2008 às 22:13 :

    apesar de gostar de quase todos icones que morreram cedo(janis joplin/jim morrissom/kurt cobain/cazuza/john lennon…), concordo plenamente com seu o pensamento.
    sera que ainda “achariamos graca” ao ver jim morrissom mijando no palco, kurt cobain quebrando seus instrumentos e masturbando-se frente a uma multidao e cazuza reclamando que seus herois morreram de overdose?
    tudo tem seu tempo e “sorte deles” que morreram no auge e nao ficaram boring como a madonna tentando bancar a boa moca com seus yogas/cabala e afins.
    a morte teria caido bem nela no tempo de “like a virgin”…

  • Gustavo Ayres comentou em 29 de junho de 2008 às 11:22 :

    Oi Mari,

    Legal você ter comentado.
    Bem lembrado, a Madonna pra continuar em voga teve que mudar completamente. Ou seja, já não é mais aquela coisa contestadora de antes.
    Muito pelo contrário, agora ela escreve história para crianças. Tsc, tsc.
    Mas daí se você for pensar em quem tem hoje no lugar dela, eu só me lembro da triste Amy Winehouse. A música pode até ser boa, mas ela é triste, deprimente. Aliás ainda vou escrever um texto sobre ela nas próximas semanas.

  • Alexandre Rivaben comentou em 30 de junho de 2008 às 19:07 :

    Não concordo muito quando vocês falam da Madonna. Acho muito interessante a postura dela que tenta se re-inventar a cada novo cd e não se prende a famosa “fórmula do sucesso”. Acho muito mais interessante esta postura do que de bandas “aclamadas” como Iron Maiden e Rolling Stones que, quando lançam algo novo, é apenas “Mais do Mesmo” (apenas para citar outra banda, esta, nacional, que segue sempre o mesmo caminho).

    Não posso dizer que gosto de tudo que a Madonna faz, assim como não gosto e não conheço tudo que o Ney Matogrosso faz (achei o melhor exemplo aqui no Brasil, principalmente depois de ler uma reportagem sobre seu último show na Bravo de maio) mas uma coisa não podemos negar: eles estão sempre se re-inventando e buscando alternativas o que os torna únicos e os faz mais artistas do que muitos dos que citamos (inclusive alguns que já morreram e que só fizeram sucesso pq eram “do contra”). Aliás, outro que já citei e que é SENSACIONAL é o Bob Dylan. Ainda vou escrever sobre os dois filmes lançados sobre ele neste ano.

    Abrax e parabens pela coluna e discussão :)

  • Marcel Mitsuto comentou em 01 de julho de 2008 às 17:32 :

    Mas e o Zappa? Falar em reinventando isso ou aquilo, todo mundo segue o que o zappa fez. Ele sim. Ele é o primórdio do Ney Matogrosso e da Madonna, ele é o pai da mutação e reinvenção, resignificação de tudo e do nada ao mesmo tempo tudo junto aqui agora pra sempre.

  • Rodrigo Gallazzi comentou em 01 de julho de 2008 às 17:46 :

    tae um cara q eu nunca ouvi… vo fuçá, valeu Marcel. Não sei porque mas lembrei do Raul Seixas qdo vc falou em “tudo e nada ao mesmo tempo”, hahahaha

  • Gustavo Ayres comentou em 01 de julho de 2008 às 18:37 :

    É mas o Zappa nunca foi algo muito mainstream. Ele podia se reinventar, hehe. É tipo um Beck, guardada as devidas proporções.

    Já o Raul “deu sorte” [levando em consideração o tema do texto]. Ele saiu do auge, caiu no ostracismo mas antes que ele voltasse de verdade e estragasse aquilo que era bom [pra quem gosta], ele morreu, então acabou parecendo que ele morreu no auge.

  • Último Ato » Blog Archive » Ele ainda pode ser o Roger Waters. Será? comentou em 01 de janeiro de 2009 às 15:48 :

    [...] depois de eu comentar que a morte de Jim Morrison evitou que ele se tornasse um Roger Waters [leia o texto na íntegra aqui], sou surpreendido pela notícia que Ray Manzarek, ex-tecladista do “The Doors”, [...]

  • Último Ato » Blog Archive » Ouvido Esquerdo: Ascensão e queda, raiva e graça comentou em 01 de janeiro de 2009 às 15:49 :

    [...] « Ouvido Esquerdo: A morte lhe cai bem Ele ainda pode ser o Roger Waters. Será? » Ouvido Esquerdo: Ascensão e queda, raiva [...]

  • Fabio comentou em 29 de dezembro de 2009 às 11:24 :

    Ok, pois bem, então me diga quem fez uma carreira solo tão bem sucedida quanto a da sua banda original???

    Não estou aqui defendendo Jim Morrison, nem sou fã dele nem do The Doors. Mas esse argumento de que Jim Morrison não faria tanto sucesso devido à comparação com a carreira solo de Roger Waters não cola mesmo!

    Nem Roger Water, David Guilmour, Paul McCartney, Mark Knopfler… nenhum deles fez tanto sucesso em carreira solo quanto fez em sua banda original.

    Além disso, não é porque a “mídia” não reconheceu sua qualidade musical em carreira solo que você pode afirmar que a qualidade é ruim.

    Você não gosta de Pink Floyd (uma pena para você), mas eu gosto e posso afirmar com toda certeza que se o Roger Waters tivesse lançado suas musicas da carreira solo enquanto estava no Pink Floyd, seriam clássicos memoráveis. Não é atoa que lotou ambos os shows no Rio e fez a galera vibrar mesmo nas musicas novas dele.

    Da mesma forma, existem muitos artistas bons por aí, mas que não fazem o mesmo sucesso simplesmente por falta de oportunidade. A banda “The Beautiful Girls” não deixa nada a dever para Jack Johnson, talvez seja até melhor, mas qual das duas é conhecida mundialmente???

    Alias, se o Roger Waters ganha dinheiro (e muito) até hoje com as músicas que, por sinal, ELE MESMO COMPÔS EM GRANDE MAIORIA e há séculos atrás, isso só mostra o quanto ele é realmente FODA e merece ser lembrado para sempre como um dos ícones da musica mundial. Afinal, ele foi parte de uma das maiores banda do mundo (fato indiscutível) e considerada pela imprensa especializada e por diversas votações como a maior banda de todos os tempos.

    Acho que essa tendência de banalizar os que morreram não é nada boa. Essas bandas e esses artistas que morreram tem sim que ser idolatrados e mitificados, pois são fonte de inspiração para muita gente de potencial e que está em busca de uma oportunidade para o sucesso.

    O que você diria então do U2 e do Bono Vox se ele tivesse morrido??? E do Pearl Jam e o Eddie Vedder???? Iria dizer também que não foram tão bons quanto as pessoas falam, que foi a morte que lhe trouxe a fama??? A impressão que eu tenho, devido ao seu texto, é que você diria sim, que você acharia isso!

    É fato que a morte faz com que pessoas parem para prestar atenção e ouvir Artistas que nunca escutaram ou não davam atenção antes. Mas conhecer e reconhecer esses mitos é importante e educativo… Esquecê-los é como querem construir o futuro sem estudar história!

    Abra sua mente e tente deixar esse “ranzinzismo” de lado. Acho que pode lhe fazer muito bem!

  • Gustavo Ayres comentou em 29 de dezembro de 2009 às 21:45 :

    Olá Fábio, obrigado pelo seu comentário.

    Na verdade acho que houve um engano. No texto eu não estou questionando o sucesso da carreira solo dos artistas. Apesar de usar o Roger Waters, Jimmy Page e outros como exemplo, não é esse o ponto no texto.

    O que eu estou colocando de fato é que morrer no auge fez com Jim Morrison (e conseqüentemente o The Doors) fosse mais idolatrado do que seria se não tivesse morrido. E eu acredito que isso seria exatamente pelo que ele faria nesse período entre a morte dele e o fim de carreira :).

    Também não estou questionando se Pink Floyd é bom ou não. Muito pelo contrário. Pink Floyd é uma das poucas bandas que eu não gosto mas não tenho como negar que seja boa.

    Por fim, eu não estou banalizando os que morreram. Novamente, estou reiterando que que essa “mitificação” foi boa para eles. O que eles fizeram em vida foi algo realmente muito bom, mas meu receio é o que eles fariam se não tivessem morrido.

    Na minha opinião o Jim Morrison teria iniciado a sua decadência, por isso “a morte lhe fez bem” :)

    Mas foi bem legal você comentar. Convido-o a comentar nos outros textos também.

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