Este final de semana consegui ver este filme produzido pelo criador da aclamada série Lost.A idéia do longa é muito boa, ressuscitando a fórmula que teve seu ápice em “A Bruxa de Blair”, Cloverfield é uma história toda contada a partir da percepção de uma câmera nas mãos de um dos protagonistas.


As tomadas iniciais nos mostram a câmera nas mãos de Rob (o protagonista) filmando a moça que, além de amiga, é a pessoa por quem está apaixonado. Ao que tudo indica, Rob acaba de conseguir uma oportunidade amorosa com ela. Depois de um corte seco (há muitos desses cortes para dar mais “realismo” à filmagem “amadora”), a câmera aparece nas mãos de Hud, amigo de Rob que está filmando a festa de despedida deste - ele está de partida para o Japão.

Depois de uma introdução marcada por depoimentos e para nos deixar à vontade com a projeção subjetiva, peculiar e, até certo ponto, espontânea, começa o “ataque” à cidade de Nova Iorque com edifícios sendo destruídos e o nosso amigo filmando tudo.

A partir daí, a trama não tem muita importância (Rob quer voltar para o apartamento de seu amor para salvá-lo) visto que o grande objetivo é mesmo imergirmos na hipotética (?) ameaça de algo desconhecido atacando, destruindo e alterando nossas vidas para sempre.

Visto sob esse prisma, “Monstro” atende às espectativas - e aqui a ausência de trilha sonora somada aos gritos de pavor e explosões aumenta a ansiedade e a subjetividade da projeção nos torna sobreviventes tanto quanto os protagonistas da história.

Contudo, apesar de entender que para realizar uma ousada produção dessas é necessário abrir mão de algumas atitudes que deixariam a obra mais “real”, não consegui assistir a tudo sem me irritar e me questionar sobre alguns por ques:

- Por que cara não larga a câmera nem nos momentos de maior desespero?

- Por que a câmera não quebra nunca?

- Por que, depois que Hub finalmente larga a câmera, outra pessoa passa a usá-la? (aqui há uma explicação mas não a achei profunda e nem tampouco crível)

- O cara estava usando uma câmera profissional ou o quê?

Eu sei, se trata de ficção mas não posso ser imparcial e dizer que isso não me chateou um pouco (principalmente a primeira pergunta, não consigo imaginar respostas plausíveis - alguém pode me ajudar? - e isso acaba soando forçado, ingênuo, infantil até, algo que “A Bruxa de Blair” justifica muito bem!).

Além do mais algumas falas saem como clichês do tipo “Temos que sair daqui” e todas as suas variações - aqui fiquei com uma dúvida: seriam falas propositais para “satirizar” o cinema americano?

Contudo, de forma geral, é um filme interessante, com atuações espontâneas (como deve ser quando se tem essa “subjetividade”), que tem no “monstro”, uma metáfora para o 11 de setembro (assim como os japoneses criaram o Godzilla como símbolo metafórico para a destruição causada pelas bombas atômicas da 2a Grande Guerra) e nos faz refletir sobre como podemos ser minúsculos e sem alternativas frente ao que pode vir a acontecer no mundo - terremotos, ataques terroristas, aquecimento global, e o que mais vocês podem imaginar…

Por que ver? Para sair um pouco dos blockbusters americanos sobre o fim dos tempos (cheios de efeitos especiais, trilha sonora, etc) e para imaginar o sofrimento de um povo que, de repente, vê suas vidas totalmente destruídas por algo inexplicável.

Quem deve ver? Para aqueles que gostam de um cinema diferenciado, com poucos clichês e que aprecia imaginar o que não foi mostrado.

Minha Avaliação: 7.2/10

Eis aqui o trailer (legendado):

Outro vídeo com cenas do filme (sem legendas):

E um link interessante (em inglês) sobre algumas referências que o filme faz ao seriado Lost. Será mero apelo de marketing?

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