Otimamente interpretado por George Clonney - sério, já faz algum tempo que ele está merecendo ficar com o prêmio de melhor ator, infelizmente, o que tem de talento falta em sorte: sempre concorre com atuações marcantes e de peso, neste ano, deve perder para o ótimo Daniel Day Lewis em “Sangue Negro”. Michael Clayton trabalha em uma agência de advocacia e é o responsável por “dar um jeitinho brasileiro em tudo”. De simples problemas domésticos até casos de milhões de dólares, ele é “o cara”.
Porém, quando seu amigo de trabalho sofre de, aparentemente, um surto depressivo e resolve denunciar uma mega-corporação que defendeu durante 6 anos, Michael passa a enfrentar um dilema: é correto resolver problemas de pessoas que as vezes são realmente culpadas?
Clooney dá um show a parte ao encarar o personagem de uma forma tão real que nos faz acreditar piamente na falta de ética a qual se habituou. Além disso, as dívidas de seu irmão drogado e seu vício em carteado o fazem simplesmente resolver os problemas de forma a não dar importância ao “certo” e “errado”.
Contudo, apesar do seu “profissionalismo”, é fácil perceber a angústia que o cerca todos os dias, questionando seu caráter e sua vida - chega ao ponto de afirmar categoricamente que o filho não vai precisar “passar pelas mesmas coisas” que ele e o irmão passaram ao longo de sua existência.
Contando com uma ótima atuação de Tilda Swinton - ela interpreta a presidente da mega-corporação que em uma atividade deixou centenas de mortos e que se vê pressionada a tomar atitudes devido a sua posição e poder, e com uma interpretação impecável de Tony Wilkinson - é impressionante a forma como se expressa desde o início da trama; o longa nos mostra o mundo dos negócios e as conseqüências éticas e ideológicas que são refletidas em nossas vidas.
Achei o roteiro sensacional e, ao contrário de muitas críticas, adorei o final que nos deixa com a impressão de que algumas coisas podem (ou não) mudar influenciadas pelo nosso caráter e não apenas pela pressão do mundo exterior.
Atenção para duas ótimas cenas, sem cortes e sem falas: a de um assassinato e quando Michael entra em um táxi - por esta cena, já valeria a indicação a Clooney - o realismo expressado por ele é absurdo, deixando transparecer suas indagações e satisfação, sem uma palavra sequer: algo bem raro no cinema atual.
Indicações:
- Melhor filme;
- Melhor ator (George Clooney);
- Melhor diretor (Tony Gilroy);
- Melhor ator coadjuvante (Tony Wilkinson);
- Melhor atriz coadjuvante (Tilda Swinton);
- Melhor roteiro original,
- Melhor trilha sonora
Segue o trailer:











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