Acabou a expectativa. Conforme a minha torcida, “Onde os Fracos Não Tem Vez” venceu em melhor filme e direção (além dos outros prêmios - eis aqui uma lista com todos os premiados).

O filme é baseado, como já dito (veja a sinopse e o trailer aqui) na obra do escritor britânico Ian McEwan que narra a história de um amor praticamente não realizado devido a uma atitude de uma menina de 13 anos, no caso, a irmã da moça envolvida no caso amoroso. A trama é simples e interessante: a tal menininha tem uma paixão platônica pelo filho da governanta que, por sua vez, é apaixonado pela sua irmã mais velha (da menininha, não dele!). A irmã também nutre um sentimento pelo rapaz e tudo isso acaba em um momento de amor na biblioteca do casarão.
Acontece que a irmãzinha coadjuvante, que se torna praticamente a protagonista da trama (uma vez que ao longo da fita é perceptível sua narração e suas colocações parciais sobre eventos de forma participativa e não onisciente e onipresente), acaba pegando o casal no flagra. Enciumada, inventa uma história a respeito do próprio rapaz (algo que se torna mais verossímil com uma carta bem picante - e até certo ponto engraçada e constrangedora - escrita por ele).

Eis que o cabra é preso - não sem antes trocar juras de amor com a moça por quem era apaixonado; e após um tempo na prisão consegue uma permuta de sentença, conseguindo uma “liberdade” em troca de ir para a Guerra.
Assim se passa o longa, narrando a triste história de como uma atitude mesquinha e mimada pode acabar com algo que sequer começou direito. Aliás, esta é a grande mensagem do filme, ao meu ver: como uma atitude consegue mudar tanto o rumo de toda uma vida (e, neste caso, percebemos que esta “simples” atitude muda o rumo de toda a vida de uma família inteira).
Preciso dizer que o filme simplesmente me encantou. É fato que tenho uma queda por filmes de época (a trama inicia no período entre guerras) mas é fato também que achei Orgulho e Preconceito, do mesmo diretor, um tanto quanto cansativo (apesar de ser “sucesso” de crítica). Esperava, portanto, algo similar, arrastado, praticamente uma epopéia.

Mas, felizmente, me surpreendi. Contando com a atuação da surpreendente Saoirse Ronan (interpretando Briony, a irmãzinha com infância precoce, mimada e extremamente fria) e ainda com interpretações marcantes dos protagonistas James McAvoy (fazendo Robbie, “o apaixonado”) e Keira Knightley (atuando como Cecilia, “a apaixonada”), o enredo ainda conta com o artíficio de flashbacks sutis e propositais que, ao contrário do que muitos dizem, não adicionam confusão à fita mas sim elegância e estilo - principalmente se considerarmos o seu final.
A minha felicidade é ainda maior por ter constatado que a Academia premiou a trilha sonora deste que é extremamente feliz, com um som angustiante sendo mesclado pela máquina de escrever utilizada por Briony.
Além disso, Joe Wright acertou de vez a mão na direção - reparem na cena em que Robbie caminha em uma praia francesa após a rendição alemã e em outra em que Briony cuida de um soldado francês, mostrando um pouco de humanização em sua face - aqui, méritos também da fotografia.
Por fim, o roteiro me lembrou de um livro que está em minha lista de desejos, logo devo lê-lo para comentar aqui e fazer a analogia que me parece bem adequada. O nome do livro?
“Quem somos nós?”
E agora me lembro de uma fala dirigida a Briony que gerou tal associação:
“Você tem muita imaginação!”









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