Caramba, ontem o Fabiano (Presa) comentou meu post sobre o “Meu Nome Não é Johnny” em que cito uma “receita de bolo” do cinema nacional perguntando se eu não tinha gostado do Tropa de Elite.

Opa. Que é isso? Precisei escrever este post urgente!!!

É uma produção excelente. Roteiro enxuto, diálogos rápidos e envolventes, dose certa de realidade versus cinema. Atuações impecáveis. Fotografia e direção de cena também. Só não curti muito a trilha sonora mas aí é por opção pessoal mesmo.

Só não acho que dá para comparar “Tropa de Elite” a “Cidade de Deus”. Para mim são dois momentos distintos do cinema nacional, é como comparar o Senna com o Rubinho (ixi, acho que apelei né?).

“Cidade de Deus” é para mim um marco no cinema mundial, entra fácil no meu top 10.

“Tropa de Elite” é um fiel escudeiro, chega em 2o lugar mas longe…

De qualquer forma, ambos são filmes excelentes que merecem um lugar ao sol.

O que quis dizer no outro post é que muitos outros aproveitam a carona e se utilizam do mesmo marketing de seus sucessores para garantir bilheteria: caso por exemplo de Carandiru, Olga (eu preciso fazer um post desse filme para homenagear uma pessoa muito querida!) e o mais recente Johnny.

E vocês, o que acham? “Tropa de Elite” supera “Cidade de Deus” no âmbito nacional? Existe algum outro filme a altura? Por que será que os dois filmes de maior sucesso dos últimos anos retratam a dura realidade brasileira? Será que não somos capazes de produzir um “Titanic”, um “Dogville” ou um “Fale Com Ela”?

Ps. Antes que me apedrejem, citei “Titanic’ como exemplo de super-produção e “Dogville” como exemplo de cinema filosófico e “Fale Com Ela” para ressalvar originalidade de roteiro, dentre tantos outros que poderia citar.

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3 Comentários sobre “Tropa de Elite e Cidade de Deus”

  • Raphaella Reis comentou em 07 de agosto de 2008 às 14:43 :

    Eu particularmente achei os dois filmes ótimos, e os coloco em pé de igualdade. Mesmo. Ambos produziram personagens caricatos a partir de relatos reais. Ambos conseguiram embutir a crueza da realidade na fantasia do floreio dramático do roteiro. Ambos pegaram o espectador de jeito; ao mesmo tempo em que você se envolve, torce contra ou a favor de alguém, e condena ações na telona, você se pega recordando de momentos onde agiu daquela mesma forma. E aí você precisa parar e pensar.
    Tropa de Elite fez mais sucesso pela necessidade do país - principalmente da unidade federal retratada no filme - de segurança. A cultura da violência está forte, concentrada, quase legitimada. As pessoas - que passaram décadas ignorando o embrião e vendo tudo crescer sem se importar - estão com medo da sua própria criação. Elas precisavam de um herói que, mesmo fictício, pudesse ser alocado no mundo delas, fosse crível, fosse alguém em qualquer esquina. Alguém que você não conhece, mas que pode estar lá.
    Pimba! Surge o Capitão Nascimento e seu BOPE. Algo que muitos sabiam que existia, mas que não imaginavam como, quando e onde agia. O filme foi lá e dissecou isso. Agora as pessoas se acalmaram na ilusão do BOPE do cinema, estão seguras. E então, o filme estourou. Mais que Cidade de Deus, que envergonha por mostrar o que a sociedade criou e agora teme por sua ignorância. O Zé Pequeno dá medo. Principalmente porque depois dele, surgiram maiores e piores. Isso, ninguém quer reconhecer. Mas o BOPE, todos querem aplaudir.
    Em São Paulo, Tropa de Elite não foi assim, um hit.
    BOPE lembra ROTA. E a maioria dos paulistas conhecedores da ROTA não gosta de lembrar da existência dela.

    O Brasil tamb´m produz sua cota de cinema “conceitual”. Filmes como “Não por Acaso”, “Bicho de Sete Cabeças” e “O Maior Amor do Mundo” estão nessa pauta. Isto sem contar as maravilhosas minisséries da Globo - onde temos que reconhecer, a emissora é impecável nestas produções - que acabam virando filme, como “O Auto da Compadecida”.

  • Alexandre Rivaben comentou em 07 de agosto de 2008 às 15:21 :

    Olá Raphaella,

    Muito bom seu comentário. Concordo com você quando da necessidade do público de procurar uma identidade, um capitão nascimento, que nos traga um pouco de justiça, mesmo que de modo insensato. O que não concordo é sobre a igualdade dos filmes. Acredito que, sem Cidade de Deus, não existiria Tropa de Elite. Ao meu ver, aquele filme é a origem de um cinema nacional de qualidade (eu concordo quando você compara os dois roteiros e os coloca em pé de igualdade mas não dá para fazer isso em termos de produção) e é ele quem propicia o aparecimento de grandes obras como a do BOPE.

    Ah, muito bem lembrado a analogia com a ROTA de SP mas mesmo assim o Tropa fez muito sucesso por aqui (se não estou enganado, foi o mercado que mais teve dvds piratas comprados! rs).

    Acho “Bicho de Sete Cabeças” formidável, não assisti aos outros dois (já foram para a minha lista). Eu colocaria na sua lista o excelente “O Cheiro do Ralo” (já falei dele em outro post).

    Finalmente, sobre as séries, discordo um pouco. Acho que são raras as que se destacam (como o “auto” que você citou) e saem da mesmice, são sim grandes produções em termos de figurinos e cenografia mas continuam com o famoso “enquadramento novela” e deixando muito a desejar em termos de originalidade de roteiro.

    Abs,

  • Raphaella Reis comentou em 13 de agosto de 2008 às 15:07 :

    Ah, perdão pela resposta tardia!
    Você tem razão quanto ao mercado de DVDs piratas, mas de sucesso… Ainda discordo. A grande maioria comprou pra ver e falar mal. A ROTA aqui causa um asco terrível - e o Nascimento, convenhamos, tinha cara de paulista. haha Acho que isso contribuiu bastante pra empatia negativa dessa unidade federal.

    Realmente, em termos de produção, as disparidades são notórias - e fazem paralelo com a vida real: Cidade de Deus, o filme dos bandidos, teve uma boa verba, ótimos recursos e atores disponíveis. Todos quiseram participar. Tropa de Elite, o retrato da polícia, foi difícil: verba escassa, recursos mínimos, e pouquíssimos se dispuseram ao projeto. A arte imita a vida até nas “pequenas” coisas. E de fato, a polícia real só existe porque a sociedade cria o bandido. Ela cria seu vírus, e então precisa produzir um soro ou vacina que a defenda. No nosso caso, tanto as vacinas quanto os soros andam ineficazes…

    Procurarei imediatamente o texto sobre “O Cheiro do Ralo”. E vou à locadora alugar pra ver.

    A série JK, eu achei que se destacou brilhantemente. Um Só Coração, O Quinto dos Infernos, A Muralha - esta eu ainda me pego caçando pela internet, gostaria de rever… São ótimas. Sim, a Globo erra a mão um pouco às vezes; não parei pra ver Antônia por isso, tenho medo ainda de me deparar com N clichês e detestar a história toda. Mas não dá pra negar que em minisséries eles fazem um ótimo trabalho - que em novelas eu só vi uma vez, em Que Rei Sou Eu. A última novela inteligente que vi na TV, e eu era apenas uma criança… haha

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